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Emancipação de Garopaba REGISTROS HISTÓRICOS

Atualizado em 09/01/2020 às 15:48

 

Os primeiros passos da emancipação de Garopaba

 

Yga, Ygara, Ygarapá, Ygarapaba, Garopaba. A Enseada de Barcos, devido o significado do nome indígena, deixou a “infância” e completa neste mês 58 anos da última emancipação. Tentativas para torná-la cidade foram algumas. Registros datam que a primeira teria ocorrido em 15 de novembro de 1889, porém sem sucesso. E no ano seguinte, em 06 de março de 1890, é expedido o decreto:

 

 

 

“O Tenente Coronel Lauro Severiano Müller, bacharel em matemática e ciências físicas, e governador do Estado de Santa Catarina decreta:

Art. 1º - Fica desmembrada a Freguesia de São Joaquim de Garopaba do Termo de São José, para formar um novo Município com a denominação Município de Garopaba, e elevada e dita Freguesia à categoria de Vila.”

 

A partir desta segunda emancipação, que permaneceu de 1890 a 1923, Garopaba apresentou desenvolvimento considerável. “Garopaba antigamente tinha um Centro muito grande e um porto. Então aquilo ali enchia de gente e as mercadorias iam tudo para ali. Isso fez com que Garopaba crescesse muito”, comentou o ex-Prefeito, Jorge Pacheco.

Registros no livro 1980 São Joaquim de Garopaba indicam que a supressão do município em 1923 ocorreu, pois o Governador Hercílio Luz levou em conta aspectos administrativos para esta ação. Consta no livro que “cabia a supressão de Municípios que eram apenas peso aos cofres públicos, podendo ser anexados, então, ou contribuir para a formação de outros, mais viáveis administrativa e economicamente”.

As quase quatro décadas enquanto Distrito do Município de Palhoça foram difíceis para a Garopaba do Norte. A economia baseada na agricultura, pecuária e pesca foi o que permitiu a permanência.

Lembrar de como era a vida naquele período é saboroso para Pedro do Nascimento. Aos 71 anos, Tito, conforme é conhecido, tem muitas histórias para contar. Filho de nativos, é um dos nascidos com o auxílio da parteira Preta Jorda, conforme era conhecida.

Nascido no Siriú e morador da região, desde os três anos Tito é possuidor do dom de fazer redes de pescaria. O indivíduo, naquela época, possuía poucas opções de trabalho: normalmente trabalhava na roça ou pescaria e, em casos escassos, era professor. No caso de Tito, “o meu pai comprava o nylon em Florianópolis e nós fazíamos a rede a mão para pescar Tainha”. Acrescenta que “com idade de quatro anos aprendi a tarrafear. Matava camarão e pescava para sustentar os meus irmãos”.

A pescaria dos dias de hoje é completamente diferentes da infância e juventude de Tito, que “era uma fartura. No verão o peixe esbarrava na perna da gente”, comenta. A sobra dos peixes era distribuído entre parentes e amigos. “Ninguém dava conta de comer. A minha mãe dizia para eu levar para Tia Mariquinha, a Sinhá Bina...”.

Uma rotina difícil e pesada, o trabalho nos engenhos de farinha de mandioca também começava cedo, pois era preciso ajudar no sustento do lar. “A partir dos cinco anos o meu pai colocou a gente na roça para ajudar”, acentua. Neste mesmo ambiente tinha-se contato estreitado com os familiares, afinal era freqüentado, normalmente, por pessoas de uma mesma casa, e o trabalho era braçal. “Eu tratava do gado, aprendi a sovar mandioca no engenho, que o boi andava quatro horas para ralar a mandioca e depois fazer a massa e a farinha. Da farinha nós fazíamos ela forneada e carregava para o paiol do avô”, comenta Tito.

Ex-Armação Baleeira de São Joaquim de Garopaba, a pesca do mamífero sustentou Garopaba até o início da segunda metade do século passado. Os pescadores monitoravam-na e “o Sr. Rubens bombardeava elas em cima e rebocavam no cabo com as embarcações, puxando para a beira da praia”. Depois fazia-se o desmanche e “levavam para derreter em Imbituba, porque aqui não tinha suporte para ser derretido”, comenta.

A “matança”, como popularmente se diz, ocorria uma ou duas vezes por ano, durante a temporada que as Baleias Franca passavam pela região. O resultado era fartura, rendimento que durava até a outra temporada.

Os restos dos mamíferos são vistos até hoje. Ossos de Baleia estão expostos em órgãos e instituições de estudos e análises. Até pouco tempo eram, inclusive, expostas na Praia do Centro de Garopaba.

Há algumas décadas não usufruía-se das praias conforme hoje garopabenses e turistas costumam utilizá-la. Tito conta que “era beneficiada para cavalos, pessoal de pé dos Morrinhos para cá. Era aonde a gente fazia as exportações das lavouras”.

Embora diante das dificuldades predominantes em Garopaba após a supressão do município, a vida em sociedade era harmoniosa. “Tinha a bênção do tio, do pai, do padrinho, da parteira, que era a Preta Velha. Tinha o compadre, a comadre. Nós abençoávamos no respeito”, explica.

O luto, por exemplo, era simbolizado pelas vestimentas. Para cada grau de parentesco ou proximidade usava-se uma cor. A família, em especial a viúva ou viúvo, deveria usar o preto. O roxo era para os familiares, e assim por adiante.

As famílias costumavam ser grandes. O casal tinha muitos filhos que logo iam agregando seus cônjuges, os netos e assim por adiante. “A minha mãe mal acabava de ter um filho e já vinha outro” comenta e brinca que ”mamava um no peito e um no outro”.

Comida típica, a alimentação era baseada em frutos do mar, como a tradicional Tainha, além de outros frutos do mar, muito pescados nas praias da região. O pirão de água ou de feijão era uma espécie de principal, afinal, não havia opções.

Mas em 19 de dezembro de 1961 o quadro muda. João Orestes de Araújo e Jorge Pacheco de Souza trabalham juntos em prol da emancipação de Garopaba. Jorge é indicado como Prefeito provisório, aonde permaneceu até 1962. Posteriormente assume, após sair vitorioso da primeira eleição direta, João Orestes de Araújo, sucedido por Pacheco.

E ao longo destes anos Garopaba deixou de ser distrito, passou a “caminhar com os próprios pés”, passou por inúmeras mudanças em diversos aspectos, desde geográficos, religiosos, até, inclusive sociais. Moradores mudaram as aparências, mesclaram os rostos, os costumes, alimentação, vestimentas, e muitas outras características que antes jamais se imaginara. Hoje vive-se em uma cidade de contrastes: pacata durante o ano e na temporada de verão movimentada.

Fonte: Reportagem da jornalista Heloiza Abreu, publicada na edição n. 184 do Jornal da Praia Garopaba.

 

Relação dos Prefeitos de Garopaba:

Jorge Pacheco de Souza – Prefeito Provisório – 1961 a 1961

João Orestes de Araújo – 1º Prefeito Eleito – 1963 a 1968

Jorge Pacheco de Souza – 1969 a 1972

Joaquim Roque Pacheco – 1973 – 1976

Adílio Inácio de Abreu – 1977 a 1982

Batista Pacheco Pereira – 1983 a 1988

Quirino Juvêncio Lopes – 1989 a 1992

Ari Osvaldo Sanseverino – 1993 a 1996

Quirino Juvêncio Lopes – 1997 a 2000; 2001 a 2004

Luiz Carlos da Silva – 2005 a 2008

Luiz Carlos Luiz – 2009 a 2013

Paulo Sérgio de Araújo – 2013 a 2020

 

Relação dos ex-prefeitos e vice-prefeitos de Garopaba

Clique aqui para visualizar

https://www.garopaba.sc.gov.br/cms/pagina/ver/codMapaItem/63784

 

 

 

Relação dos ex-vereadores de Garopaba

Clique aqui para visualizar https://www.garopaba.sc.gov.br/cms/pagina/ver/codMapaItem/63786

 

DOCUMENTOS HISTÓRICOS

Procuramos reviver a Emancipação, através de documentos históricos que enriquecerá sem dúvida alguma, culturalmente o nosso Município.

É necessária a absoluta conservação e a preservação destes documentos, pois neles estão narrados e imortalizados toda a nossa vida de comunidade, todas as nossas lições e todos os nossos esforços de progresso.

Assim, neste espírito solidário, histórico e cultural, entregamos, com muito carinho essas informações, para a posteridade.

PARA CONSTRUIR O PROGRESSO DE QUALQUER COMUNIDADE É PRECISO SUSTENTAR-SE FIRME SOBRE AS LIÇÕES DO PASSADO.

Lei nº 795 de 1961 e outros documentos alusivos a data comemorativa de Garopaba encaminhados por Jean Ricardo Antunes.


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